quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama: uma síntese de idéias

Arnaldo Jabor

Obama é preto. Liberal. Culto. Com nome de muçulmano.

Obama é tudo que a América nunca quis e que parece querer agora.

Outros democratas já foram reformistas, como os kennedys, assassinados… O Clinton, mas… Brancos de elite.

Obama não é importante como novo presidente apenas, ele será a maior virada da história americana: a América se auto criticando, aceitando o rejeitado histórico, o negro cuspido, o solitário que não representa corporações.

Obama nasceu nos anos 60, junto com a integração racial, com os direitos humanos. Obama é o jazz, a sexualidade livre, a liberdade da contra cultura. Ele é uma porrada no mundo republicano de preconceito, violência, burrice, da pulsão de morte.

Se Obama não ganhar, a América vai decair como suas torres do 11 de setembro.

Neste mundo do “conto do vigário”, das finanças alavancadas, Obama é mais que um candidato; ele é uma síntese de idéias, é a tomada do poder das conquistas cientificas, culturais e éticas da modernidade.

Voltarão a razão e a inteligência, que foram escorraçadas da América nos últimos anos.

Obama não é o novo. Ele é o velho. O bom e velho humanismo, a velha grandeza esquecida do mundo ocidental.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O sobe e desce das commodities

Com a desaceleração da economia americana e crise no sistema financeiro, principalmente nos bancos de investimentos e mercado de capitais, o preço das commodities despencou nas últimas semanas. O barril de petróleo fechou cotado US$ 61,30 na segunda-feira, valor mais baixo nos últimos 17 meses e muito inferior do recorde de US$ 147,27 registrado em julho, devido as reduções de oferta da Opep.

Outro fator para desvalorização do óleo, segundo especialistas, é crescente venda das ações de grandes petrolíferas para investimentos de menor risco, como o tesouro americano (espécie de poupança do Governo).

O banco Merrill Lynch, por exemplo, cortou sua projeção para o preço do petróleo WTI no quarto trimestre deste ano, para US$ 78,00 o barril, de US$ 107,00 previstos anteriormente. O banco acrescentou haver "sério risco de baixa" aos preços para a média de US$ 90,00 o barril em 2009. Mas uma recessão global no ano que vem - possibilidade que não parece mais remota, dizem os analistas - poderia puxar os preços do petróleo para até US$ 50,00 o barril.

"A demanda por commodities no mercado físico está caindo em todas as partes do mundo, com a taxa de consumo do petróleo apresentando o maior recuo desde 1980. Mais importante, começamos a ver sinais de retração na demanda por petróleo nos mercados emergentes", disseram analistas do banco.

Commodities são produtos básicos, homogêneos e de amplo consumo, que podem ser produzidos e negociados por uma ampla gama de empresas. Podem ser produtos agropecuários, como boi gordo, soja, café; minerais, como ouro, prata, petróleo e platina; industriais, como tecido 100% algodão, poliéster, ferro gusa e açucar; e até mesmo financeiros, como as moedas mais requisitadas (dólar e euro), ações de grandes empresas, títulos de governos nacionais, etc. São negociadas em duas formas: mercado à vista e futuro (fecha-se já um contrato para entrega/pagamento futuro), e nas Bolsas de Mercadorias, são negociadas em quantidades padrões: por exemplo, na BM&F o dólar é negociado em contratos de US$ 10.000 e o café em contratos de 100 sacas de 60 Kgs.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Tricolor na luta pelo tri




O São Paulo vai pra cima do Vitória nesta quinta-feira, no Morumbi, com apenas um resultado aceitável na cabeça: a vitória. O Tricolor tem 53 pontos, está na quarta colocação do Brasileirão, e precisa dos três pontos para seguir forte na luta pelo tricampeonato.


Vamos São Paulo!!

Obrigado também

.


"Obrigada tartaruguinha, por me mostrar que o amor engloba o perdão, o aprender e o lutar. Estava quase corrompida pelo sistema, agora não mais descarto"

Penso em tudo...


.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

US$ em alta




O dólar comercial fechou em forte alta nesta segunda-feira, acompanhando o desabamento das Bolsas no mundo. A moeda saltou 7,53%, cotada a R$ 2,20 na venda.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve seu pregão interrompido duas vezes nesta segunda - mecanismo do "circuit breaker" paralisa os negócios para evitar oscilações ainda mais bruscas. Primeiro, quando a queda alcançou 10%, os negócios pararam por meia hora. Depois, a Bolsa continuou caindo até atingir a marca de 15%, o que levou a uma interrupção por mais uma hora.

Segundo especialistas, com a crise no mercado financeiro, os investidores retiram suas aplicações nas bolsas dos países emergentes e compram dólar, valorizando a moeda americana.

A preocupação dos investidores é com o possível efeito cascata na crise financeira iniciada nos Estados Unidos. Bancos europeus têm apresentado dificuldade, o que gera temor de que os problemas americanos se espalhem pela Europa.








sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Slater: insuperável



Desta vez, o mito Kelly Slater, o Pelé do surfe, virá ao WCT do Brasil no final deste mês a passeio. Isso porque, o surfista conquistou o seu nono título mundial hoje em Mundaka, na Espanha. Foi a nona etapa do circuito, Slater ficou em nono colocado e com isso, os adversários, principalmente o australiano Taj Burrow, não tem mais chance de alcançá-lo na classificação geral.

De Mundaka, o campeonato segue para as ondas de Lacanau e Hossegor, na França, para depois chegar ao litoral catarinense e finalizar nas ondas havaianas.

Aloha!




segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Colapso no setor financeiro


Após o Congresso americano rejeitar o pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao setor financeiro, as bolsas do mundo inteiro registraram queda acentuada. - O pregão da Bolsa de Valores de São Paulo foi suspenso por meia hora (mecanismo de circuit breaker) esta tarde após o índice Bovespa cair mais de 10%. Em seguida reabriu e acentuou a queda pra 13%, mas fechou as 17 horas com 7,59% aos 48.416 pontos - Esta foi a maior queda desde 11 de setembro de 2001, quando o Ibovespa havia recuado 9,17%.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ouro Negro tem alta histórica




Apesar do abalo no mercado financeiro, desencadeada pela crise do setor imobiliário nos EUA que culminou com a quebra de instituições financeiras, como o Lehman Brothers, o petróleo apresentou esta semana a maior alta desde que começou a ser negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York) em 1983. O motivo desta vez, segundo especialistas, foi a retomada das operações das refinarias do Golfo do México, que estavam paralisadas em função da passagem dos furacões Ike e Gustav e a redução das exportações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).


Na segunda-feira, os contratos de petróleo para outubro fecharam a US$ 120,92 por barril, alta de US$ 16,37 (15,66%).


Com isso, o preço da nafta petroquímica, derivado do óleo e principal matéria-prima do setor petroquímico, deve continuar sua progressão de alta. Um dos produtos gerados pelo processamento da nafta é o eteno, principal insumo para fabricação das resinas plásticas, como o polietileno (PE) e o polipropileno (PP).

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Baixa oferta de gás natural pode aumentar poluição do ar


Com o crescimento e possibilidade de não suprimento da demanda industrial de gás natural, especialistas da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) alertam para a retomada do uso de óleo combustível e conseqüentemente, um aumento da poluição atmosférica. A preocupação deve-se ao fato da companhia ter registrado, nos últimos anos, uma redução gradativa das emissões de poluentes na região metropolitana de São Paulo.

“Algumas indústrias paulistas podem voltar a utilizar o óleo combustível na matriz energética por conta da baixa oferta de gás natural no país. Caso isso ocorra, será prejudicial para a qualidade do ar, já que voltam as emissões de material particulado (conjunto de poeira e fumaças) e enxofre”, previu o engenheiro Carlos Eduardo Komatsu, gerente de Engenharia, Tecnologia e Qualidade Ambiental da Cetesb.

O gás natural é considerado uma fonte de energia mais limpa que os derivados do petróleo e carvão, além disso o combustível proporciona um ciclo de vida mais longo aos equipamentos e um menor custo de manutenção quando comparado ao uso do óleo combustível.

Komatsu afirma, que apesar do crescimento acelerado da frota de veículos e da atividade industrial na cidade de São Paulo, a companhia tem registrado uma diminuição das emissões de poluentes. Ele ressalta, que os carros atuais emitem uma quantidade muito menor de poluentes quando comparado aos veículos de dez anos atrás, além disso a companhia realiza um trabalho intensivo de combate às indústrias e veículos poluidores.

“A contribuição industrial para a poluição atmosférica diminuiu muito nos últimos anos graças a uma conscientização do setor, uso de fontes limpas de energia e um trabalho da Cetesb. Além disso, temos que destacar o avanço tecnológico do controle das emissões veiculares com catalisadores, sensores, injeção eletrônica, entre outros. Os automóveis fabricados hoje têm uma emissão muito menor do que os veículos de antigamente. Mas, ainda assim, temos identificado ultrapassagens no padrão de qualidade do ar na metrópole”, afirmou o gerente da Cetesb.

Komatsu frisou, que a companhia estabelece regras especificas para o licenciamento de atividades industriais, como a identificação de áreas saturadas em relação à qualidade do ar. “As empresas que forem licenciadas para estas áreas de qualidade do ar comprometida têm que compensar, de alguma forma, suas emissões”, explicou.

Em poluição veicular, no período de 1995 a 2007, a Cetesb conseguiu diminuir de 46% para 6% o número de veículos movidos a diesel desregulados, que soltam fumaça preta (partículas de carbono elementar). “Nós temos uma ação bastante repressiva em relação a estes veículos. Chegamos a multar uma média de 11 a 12 mil veículos todos os anos por emissão excessiva de fumaça preta. Com isso, muitos carros que estavam desregulados procuraram se manter regulados, fazer manutenção periódica”, afirmou Komatsu – este ano a Cetesb já aplicou 3.100 penalidades de fumaça preta. Em 2007, o número foi de 15 mil multas.

Komatsu destacou também, o óleo diesel consumido atualmente como um dos fatores de contribuição para a melhora da qualidade do ar – Neste sentido a boa notícia é que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, informou que a partir de janeiro de 2009 a Petrobras e os fabricantes de carros terão de se adaptar à norma que prevê a redução dos níveis de enxofre no óleo diesel utilizado no país para 50 ppm (partes por milhão).

“A questão do combustível é muito importante, quando começamos com este programa o diesel era de 2000 ppm de enxofre, e hoje aqui na região metropolitana é de 500 ppm de enxofre.. O próximo passo é adotar o diesel de 50 ppm”, projetou Komatsu.

“Embora tenhamos essa impressão (aumento da poluição) por causa dos congestionamentos de trânsito, verificamos um avanço nos dados de qualidade do ar, mas ainda assim a poluição do ar é um problema na cidade de São Paulo”, completou.

Tempo seco impede dispersão

As ações mais intensas da Cetesb em cima dos veículos desregulados fazem parte da Operação Inverno 2008, da Secretaria do Meio Ambiente, período quando as condições meteorológicas, de tempo quente e seco, são desfavoráveis à dispersão dos poluentes atmosféricos.

“A chuva acaba retirando os particulados que estão na atmosfera. Com longos períodos sem chuva esses poluentes vão se acumulando. Neste inverno, estamos com pouca incidência de chuva e os ventos estão muito fracos, isso favorece a concentração de poluentes”, afirmou Komatsu, gerente de Engenharia, Tecnologia e Qualidade Ambiental da Cetesb.

Investimento

Até o final do ano, a Cetesb pretende adquirir mais quatro estações eletrônicas de medição da qualidade do ar. Ao todo serão 40 estações desse tipo, que controlam, analisam e enviam dados atmosféricos de diversos pontos da capital e do estado de São Paulo à central da companhia.

De acordo com Komatsu, a Cetesb comprou seis novas estações eletrônicas de medição este ano com o objetivo de realizar uma análise mais apurada do oeste do estado, região de forte crescimento do cultivo da cana. “Estamos monitorando principalmente o oeste paulista porque é uma região de forte expansão da cana, com possíveis focos de queimadas”, afirmou.

As estações de análise balizam as iniciativas da companhia e verificam a efetividade dos programas de controle implementados. Os dados coletados pelas estações são enviados para uma central que controla todas as unidades instaladas no estado e faz a divulgação de hora em hora por meio de painéis instalados em pontos estratégicos da cidade - cada estação automática tem um custo médio de R$ 700 mil reais.

Cubatão é bom exemplo

Ao contrário do que muitos pensam, normalmente a qualidade do ar de Cubatão é melhor do que da região metropolitana de São Paulo. A questão pode ser comprovada no trabalho elaborado pelo engenheiro e consultor ambiental Eduardo San Martín, que traz uma demonstração numérica das melhorias ambientais alcançadas pelo Pólo Industrial de Cubatão.

Com investimento acima de US$ 1 bilhão, o pólo de Cubatão conseguiu reduzir significativamente as emissões e consumo de recursos naturais – atualmente a emissão de material particulado é 98% menor do que em 1983, quando começou o Programa de Controle da Poluição Ambiental no município – o número é mais significativo quando comparado ao aumento da produção das empresas, que cresceu 39% nos últimos dez anos.

Para o presidente da Cetesb, Fernando Rei, a questão ambiental deve ser encarada como uma estratégia de negócio e não como um entrave ao setor industrial. “O programa imposto pelo órgão ambiental às industrias, por mais custoso que tenha sido, permite dizer hoje, que em alguns dias do ano, a cidade de Cubatão possui uma melhor qualidade do ar do que o parque do Ibirapuera. Houve um amadurecimento do setor produtivo de encarar a questão ambiental não como um custo, ou um problema, mas como uma oportunidade de negócios dentro de uma imagem institucional”, afirmou Rei.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008



"Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo de plantamos"








quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Brasil, ainda é o país do futebol?



Após a vexatória goleada sofrida para a Argentina nas Olimpíadas e o bronze sem brilho conquistado, o Brasil aparece na sexta colocação da listagem da federação internacional de futebol, com 1.252 pontos. A liderança continua com a Espanha, atual campeã da Eurocopa, com 1.565 pontos.

A Itália, atual campeã mundial, está na vice-liderança. Já Alemanha, derrotada na final da Eurocopa pela Espanha, caiu para o terceiro lugar. A Holanda está na quarta posição, seguida pela Croácia.

Apesar de levar o ouro nas Olimpíadas, a Argentina segue em sétimo, logo atrás da seleção brasileira. A Turquia subiu três posições no ranking, saltando para o décimo lugar.

Neste cenário, parece que o Brasil perdeu a hegemonia do esporte trazido por Charles Mueller no final do século XVIII. Tomara que o país aumente seu recochecimento, com méritos, em outros campos, como ciência, tecnologia, política, economia...

Ranking da Fifa:

1º Espanha 1565

2º Itália 1339

3º Alemanha 1329

4º Holanda 1295

5º Croácia 1266

6º Brasil 1252

7º Argentina 1230

8º República Checa 1134

9º Portugal 1120

10º Turquia 1033

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"Ser ou não ser, eis a questão"




No dia dos pais fui assistir Hamlet. A famosa peça de William Shakespeare, escrita na virada do século XVI, conta a história do filho, Príncipe Hamlet, arrasado pelo assassinato do pai, Rei Hamlet. Se isso não bastasse para apimnetar a trama, o pai do príncipe foi morto pelo seu próprio tio, Cláudio, irmão do rei, com o intuito de se apoderar do trono.

Em cima da peça, que já teve diversas montagens e estudos teóricos, há a exposição das diferentes individualidades existentes e do universo das paixões humanas, como o maquiaevélico Rei Cláudio, que pelo anseio do poder articula a morte do próprio irmão – atitude que podemos trazer para atualidade, onde muitos se utilizam de todos os meios e artifícios para deter o poder. Entretanto, temos a sincera e profunda amizade de Horácio e Hamlet, sem interesses, que desenrola até a última cena da tragédia.

No decorrer da peça, após testemunhar o fantasma do pai (este aparece com uma armadura de guerra e dá indícios da arapuca tramada por Cláudio), Hamlet se vê incumbido por um desejo de vingança. E neste ambiente, de angústia, de tormenta e sofrimento causado pela morte do pai, o príncipe passa a se indagar sobre suas atribuições, sobre os destinos, sobre a vida, sobre a morte...: “Ser ou Não Ser, eis a questão”.


Hamlet passa então a “quebrar a cabeça” para arquitetar a vingança da morte do pai, já que seu universo estimado é o do intelecto e não o da vingança bruta e sem sentido – Para isso, abdica de sua paixão pela bela Ofélia, filha de Polônio (conselheiro do Rei Cláudio).


Neste cenário, Hamlet cria uma peça teatral no castelo de Elsinore, na qual há o assassinato de um rei e os caminhos infiéis da rainha (como aconteceu com a sua própria mãe, a Rainha Gertrudes, cuja qual se casou logo depois com o irmão do Rei Hamlet). Por meio da peça, o astucioso príncipe espera criar um desconforto no seu tio e o novo rei Cláudio e transparecer a verdade a todos – o que de fato acontece.


Apesar de não ser um profundo conhecedor das obras shakesperiana, nesta nova roupagem, assinada por Aderbal Freire-Filho, Barbara Harrington e Wagner Moura, não há espaço ao coloquial em substituição da poesia, mas sim um equilíbrio, um casamento perfeito, das falas peculiares da peça com uma menção contemporânea e de comunicação direta, como afirmou Wagner Moura.


“Nossa intenção não foi 'coloquializar' o texto, a poesia está toda lá, mas é uma poesia da simplicidade, como no original. É um texto para ser falado, mais do que lido; com Shakespeare também foi assim, ele escreveu primeiro para o teatro, depois tornou-se um cânone literário", diz WM.


Wagner Moura interpreta com maestria o príncipe Hamlet. O Hamlet de Moura, ao contrário de muitos outros apresentados, não se caracteriza somente como o personagem melancólico e tristonho, comum de se ver, mas sim um personagem com um sarcasmo, uma ironia, uma inteligência encantadora. Destaque para suas encenações de loucura na frente da corte (a fim de camuflar o seu conhecimento do assassinato) e de sua veemência e liderança na frente dos amigos do reino e dos atores teatrais.

Num cenário estilo arena (onde todos os personagens assistem as encenações da peça), há a utilização de uma câmera, que Horácio, amigo incondicional de Hamlet, quase sempre manipula - o uso do equipamento não só traz um contemporaniedade para a peça, mas é extremamente adequado. Com o equipamento, é possível, por meio de um telão, notar o semblante dos personagens, principalmente do falastrão rei Cláudio, que dá indícios emocionais de sua culpa no assassinato do rei Hamlet.

Destaque para o Rei Cláudio, vivido por Tonico Pereira. O ator mostra o cinismo e arrogância do rei com sua voz e seu cativante jeito de falar, rouco e alongado.. Horácio, interpretado por Caio Junqueira, também aparece muito bem.

O figurino leve e casual do elenco permite uma encenação ágil, de boa qualidade também é a trilha sonora organizada por Rodrigo Amarante (ex-integrante do Los Hermanos).

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

China x Japão: Censura ou feridas da guerra?


Apesar de o governo da China ter dado orientação aos policiais para que não interferissem nos trabalhos dos jornalistas que estão em Pequim, lamentavelmente, dois repórteres japoneses foram espancados e tiveram seus equipamentos destruídos após buscarem informações sobre o atentado terrorista na província de Xinjiang na última segunda-feira.

Por sua vez, o governo chinês se desculpou e falou que os dois jornalistas serão ressarcidos, mas ressaltou, que ambos estavam em área militar de acesso proibido.

Esta é mais uma prova da opressão e censura pesada que o governo chinês exerce em cima dos meios de comunicação. Além disso, devemos destacar, o clima não tão amistoso entre chineses e japoneses, mesmo sendo vizinhos, parece que os dois lados não esqueceram os muitos anos de guerra – A China acusa o Japão de estupros e outros crimes de guerra durante a invasão da Manchúria, região rica em carvão, em 1931.

De acordo com reportagem do jornal estatal chinês, China Daily, mais da metade de jovens chineses tem uma opinião negativa em relação ao Japão, com 28% dizendo que não gostam do país, 24% alegaram que não gostam do arquipélago em partes. Por outro lado, apenas 3% disseram que gostam do Japão, enquanto 7% disse que gostam de alguma coisa do país.

Neste cenário de limitada liberdade de expressão, a imprensa japonesa deve redobrar a atenção em território “inimigo”...



"A característica do homem imaturo é aspirar a morrer nobremente por uma causa, enquanto que a característica do homem maduro é querer viver humildemente por uma causa"

(The catcher in the rye, p.183)

















sexta-feira, 25 de julho de 2008


























quinta-feira, 24 de julho de 2008

Concrete Jungle


De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não chove na cidade de São Paulo desde o dia 21 de junho, portanto mais de um mês de estiagem. Segundo o Inmet, uma camada de ar seco impera na cidade e não possibilita a entrada de frentes frias. Com isso, vivenciamos o inverno mais seco dos últimos quinze anos.

Esta semana, voltando de Campinas, notei, ao chegar em São Paulo, uma grossa camada cinza de poluição - impressionante! Dados do Inmet apontaram para uma umidade do ar em torno de 25% em alguns estados esta semana, incluindo São Paulo, umidade próxima ao clima do deserto do Saara, na África, que é em torno de 15%, porém com um ar muito menos poluído e pesado.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o índice de umidade do ar inferior a 30% é considerado preocupante; entre 20% e 30% indica estado de atenção; entre 12% a 20%, de alerta; e abaixo de 12%, alerta máximo.

Neste cenário de clima maluco com invernos quentes e secos, verões chuvosos e frios, as metas do tratado de Kyoto parecem amenas demais. No início deste mês, o G8 (sete países mais industrializados e a Rússia) decidiram reduzir em pelo menos 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2050 – uma meta muito branda e de longíssimo prazo, na minha opinião.

Para agravar ainda mais a questão, o G8 decidiu que cada país fixará suas próprias metas de redução a médio prazo até 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto, e sem proporcionar cifras ou prazos – os Estados Unidos, principal poluidor do planeta, não aderiu o protocolo de Kyoto desde o seu lançamento em 2005.

Mas para os grandes países emergentes reunidos no G5 - Brasil, México, China, Índia e África do Sul - os países ricos têm uma responsabilidade histórica no aquecimento do planeta e sua promessa de redução de emissões não é suficiente.

A China superou no ano passado os Estados Unidos como primeiro emissor de gases de efeito estufa – fico aqui pensando, como isso é terrível para os atletas olímpicos, principalmente, para os maratonistas – imagine uma chuva ácida em plena Olimpíadas?! Já o Brasil ocupa o quarto lugar, principalmente devido às queimadas do desmatamento amazônico.

Neste cenário de incertezas políticas, a previsão do tempo prevê (desconsidere a redundância) chuvas para amanhã em São Paulo – muito bem vinda por sinal, servirá para dar uma lavada momentânea na selva de pedra paulistana...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Don Vito Corleone


No último fim de semana, assisti de maneira contínua as três partes do filme “The Godfather”, traduzido para o português como “O Poderoso Chefão”. O filme, dirigido por Francis Ford Coppola, escrito por Mario Puzo (livro) e adaptado por Puzo e Coppola, é sensacional, trata-se de uma obra-prima do cinema.

Violento e realista, o filme traça um paralelo de como a máfia podia ser generosa e cruel ao mesmo tempo. É impressionante como a produção prende a atenção do começo ao fim, desde as falas roucas e morosas de Don Vito Corleone (Marlon Brando), até as cenas mais movimentadas das festas italianas e dos tiroteios

Poderia descrever muitas tramas e cenas épicas da trilogia, como a lenta abertura do filme, a festa de casamento, a morte leve e natural de Don Vito na plantação de tomates, o tiroteio na barraca de frutas, o tiroteio no pedágio, a homenagem do Vaticano ao sucessor de Don Vito, Michael Corleone (Al Pacino), e a morte de sua filha, Mary Corleone, na parte III – esta interpretada por Sofia Coppola, filha do diretor Ford Coppola.

A fotografia do filme é espetacular, o uso da penumbra criando um ar misterioso e enigmático são perfeitos, além das belíssimas paisagens da Itália. A trilha sonora também é marcante, composta pelo som de um bandolim napolitano, soa de forma melancólica, insinuando o jeito de Don Vito, um imigrante de muitas lembranças - Don Vito era conhecido como "O Padrinho" (The Godfather) por fazer “pequenos” favores para as pessoas que o procuravam.

O que chama a atenção é como o diretor retrata os hábitos e o amor pela família do povo italiano. Don Vito, aparece como um sujeito carismático, que apesar de fazer justiça com as próprias mãos, tem o discernimento das várias vertentes dos negócios ilegais – Isso acontece, quando ele não aceita entrar no mundo do tráfico de drogas, mesmo após sofrer pressão dos outros mafiosos italianos de Nova York. Ao contrário de seu pai, Michael é mais amargo, frio e calculista, porém herda o jeito paternalista de Don Vito.

Nesse sentido, a obra termina, mostrando a morte natural e solitária de Michael Corleone, caindo em meio ao pó de uma vila ceciliana. Para muitos críticos, a intenção do diretor foi mostrar o remorso de Mike pelos crimes cometidos no passado e o real valor dos amores perdidos.

Em pesquisa feita pelo maior banco de dados sobre cinema do mundo, o Internet Movie Database, 42 mil usuários do site elegeram “O Poderoso Chefão” como o melhor filme da história.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Poesia da Saudade



Ah minha menina querida,

saudade de você nesta minha vida


15 dias parece uma eternidade

intensifica e muito, a minha saudade


Lembro naquele parque, no cinema, na praia, só a gente...

namorando feliz, alegre e contente!


Aproveite tua viagem. Brinque, dance

e pule no mar para nadar...


E quando amor você voltar: um ano, uma década,

um século, será pouco para te amar


segunda-feira, 14 de julho de 2008

São Paulo está vivo no Brasileirão

Depois da derrota contra o Náutico, o São Paulo venceu o Palmeiras por 2x1 ontem no Morumbi e se manteve vivo no Brasileirão. Com o resultado, o time fica perto do G4 (os quatro primeiros times da tabela que ganham vaga para a Libertadores) e reacende o sonho do tricampeonato consecutivo.

O tricolor paulista, time que mais vezes conquistou o campeonato brasileiro com 5 títulos, foi melhor durante todo o jogo. No primeiro tempo, o time bombardeou o gol do goleiro Marcos, o 1x0 ficou barato para os palmeirenses – os atacantes Dagoberto e Borges perderam ótimas oportunidades de gol.

No segundo tempo, o São Paulo continuou impondo seu ritmo forte, apesar de uma ligeira melhora do time adversário. Éder Luiz, que acabara de entrar no lugar de Borges, aumentou para o São Paulo, 2x0. No finalzinho, o Palmeiras descontou.

Os destaques do São Paulo foram o lateral Zé Luiz e o meio-campista Jorge Wagner, merecendo maiores elogios o primeiro, pelo fato de não ter a mesma constância de boas apresentações que Jorge.

O fato negativo ficou por conta da contusão do atacante Borges, artilheiro do São Paulo nesta temporada. Numa dividida, o jogador foi esmagado pelo zagueiro palmeirense, Fabinho Capixaba, fraturando gravemente seu cotovelo.

E o que aconteceu com o chileno Valdívia, principal jogador do Palmeiras? O meia-atacante não foi visto em campo, teve uma atuação pífia. Pode ser coincidência, mas desde que cortou seus cabelos compridos o atacante tem mostrado um fraco desempenho nos campos – Isso, nos faz lembrar da história bíblica de Sansão, um dos juízes de Israel. Em sua luta contra os filisteus, Sansão revelou à Dalila que sua força residia em seus longos cabelos. Numa noite, enquanto ele dormia, ela os cortou, e Sansão perdeu sua força, ficando a mercê dos filisteus.

O próximo jogo do São Paulo será quarta-feira, dia 16, contra o Vitória. Já o Palmeiras enfrenta o Fluminense, este ainda ressacado pela perda do título da Libertadores de América no começo do mês.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Mercado especulativo

Segundo analistas, a alta do preço do barril de petróleo, cotado em torno de US$ 140, está ligada às especulações nas principais bolsas de valores do mundo, além da forte demanda chinesa e da instabilidade política em alguns países do Oriente Médio. Um dos motivos para a especulação em torno do petróleo seria a falta de informações concretas sobre a demanda chinesa desta commodity.

Assim, alguns analistas defendem que, se os especuladores forem banidos do mercado, o preço do barril poderá cair substancialmente.

Neste sentido, o poder da especulação também faz mal ao futebol e foi apontado pelo técnico Muricy Ramalho, como uma das causas do mau desempenho do São Paulo Futebol Clube no campeonato Brasileiro. Segundo ele, a especulação sobre a possível saída de jogadores para grandes equipes da Europa tem atrapalhado a performance do time.

“As especulações mexem com a cabeça dos jogadores”, afirmou Muricy.

A afirmação do treinador pode ser considerada por muitos críticos, como uma desculpa esfarrapada devido ao fraco desempenho do time. Porém, desde que o meio-campista Hernandez, que foi um dos destaques do time campeão brasileiro do ano passado, foi sondado pelo Barcelona, seu desempenho nos campos caiu.

No mercado de capitais, o FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê melhorar a transparência atuando de forma mais enérgica com os chamados hedge funds, que são os investidores não comerciais ou especuladores. Resta saber o que será feito para amenizar os efeitos da especulação no futebol para não atrapalhar o rendimento dos atletas e até mesmo não criar falsas expectativas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

FLIP VI



No último sábado, dia 5, fui à sexta edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). O evento, que homenageou o centenário da morte de Machado de Assis, foi marcado por extrema organização, pontualidade e gabaritagem dos palestrantes.

Na parte da manhã, acompanhei a mesa redonda, "Fábulas Italianas", com os escritores Alessandro Baricco e Contardo Calligaris, este último é colunista semanal do caderno Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo. Os dois de origem italiana, mostraram suas semelhanças de estilo, textos com temas de identidade existencial que mostram até onde vai o diálogo entre fábula e realismo.

Ainda no sábado, assisti ao filme “Casa de Tom - Mundo, Monde, Mondo”, feito pela viúva do compositor, Ana Jobim – presente na sessão, realizada na Casa da Cultura de Paraty. O filme baseia-se no projeto de construção das casas de Tom Jobim do Jardim Botânico, no Rio, do sítio em Poço Fundo e da instalação da família em um apartamento em Nova York. No filme: poesias, pensamentos e frases célebres do compositor mostram, de forma irreverente, sua intelectualidade, carisma e amor pela natureza, em especial, pela Mata Atlântica. Todos presentes no local saíram satisfeitos com a produção e com orgulho do brasileiríssimo Tom Jobim.

No domingo, destaque para a mesa, “Livros que não lemos”, que tratou do livro de mesmo nome do francês, Pierre Bayard. Nele, o autor defende que não é preciso ler as obras literárias para falar com propriedade a respeito. Presente na mesa, o crítico cultural e também colunista da Folha, Marcelo Coelho, apimentou o debate, bombardeando a obra de Bayard. Calligaris mediou a mesa com perfeição - os livros de resumos de obras literárias, muito usados pelos vestibulandos, também foi alvo de ataques.

Na seqüência, a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, deu a tônica à mesa “Papéis avulsos”. Nesta, Sergio Paulo Rouanet, Luiz Fernando Carvalho e Ana Maria Machado, uma das escritoras mais premiadas do país, debateram o estilo e estruturação da obra, sobretudo, o aspecto da dualidade do romance. Carvalho comentou, sobre os desafios de transformar o romance Dom Casmurro na minissérie Capitu.

Lamento por não ter acompanhado a mesa "Folha seca", que abordou a relação da literatura com o futebol. No evento, o antropólogo Roberto DaMatta, falou do seu livro “A bola corre mais que os homens”.

O saldo da VI FLIP foi bem positivo. Poderia ter mais eventos desse tipo no nosso país, com certeza, daria um impulso cultural para muitos brasileiros.

A FLIP foi idealizada pela editora inglesa Liz Calder em conjunto com a Associação Casa Azul.


segunda-feira, 7 de julho de 2008

Criação


Faz um bom tempo que quero fazer um blog. Com ele, pensei na possibilidade de escrever e dar a minha opinião sobre diversos assuntos e o melhor, poderia fugir um pouco da linha editorial dos veículos e das pautas petroquímicas, com as quais tenho trabalhado ao longo dos últimos quatro anos. No entanto, a rotina frenética dos diários postergou, por um tempo, esse desafio.

Com este blog, vou procurar escrever sobre temas que me circundam, que vão desde o Tricolor do Morumbi até o preço do barril de petróleo e sua conseqüência na cadeia de produção do plástico, ou seja, vou escrever o que der na telha.

Tenho que destacar o convívio com blogueiros de todos os tipos como um fator de motivação para entrar em mais esta ferramenta comunicativa do mundo moderno, em especial, o blog do jornalista Luiz Nassif, que numa palestra falou da autonomia editorial dos blogs, e o blog de poesia da Bombom.