sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"Ser ou não ser, eis a questão"




No dia dos pais fui assistir Hamlet. A famosa peça de William Shakespeare, escrita na virada do século XVI, conta a história do filho, Príncipe Hamlet, arrasado pelo assassinato do pai, Rei Hamlet. Se isso não bastasse para apimnetar a trama, o pai do príncipe foi morto pelo seu próprio tio, Cláudio, irmão do rei, com o intuito de se apoderar do trono.

Em cima da peça, que já teve diversas montagens e estudos teóricos, há a exposição das diferentes individualidades existentes e do universo das paixões humanas, como o maquiaevélico Rei Cláudio, que pelo anseio do poder articula a morte do próprio irmão – atitude que podemos trazer para atualidade, onde muitos se utilizam de todos os meios e artifícios para deter o poder. Entretanto, temos a sincera e profunda amizade de Horácio e Hamlet, sem interesses, que desenrola até a última cena da tragédia.

No decorrer da peça, após testemunhar o fantasma do pai (este aparece com uma armadura de guerra e dá indícios da arapuca tramada por Cláudio), Hamlet se vê incumbido por um desejo de vingança. E neste ambiente, de angústia, de tormenta e sofrimento causado pela morte do pai, o príncipe passa a se indagar sobre suas atribuições, sobre os destinos, sobre a vida, sobre a morte...: “Ser ou Não Ser, eis a questão”.


Hamlet passa então a “quebrar a cabeça” para arquitetar a vingança da morte do pai, já que seu universo estimado é o do intelecto e não o da vingança bruta e sem sentido – Para isso, abdica de sua paixão pela bela Ofélia, filha de Polônio (conselheiro do Rei Cláudio).


Neste cenário, Hamlet cria uma peça teatral no castelo de Elsinore, na qual há o assassinato de um rei e os caminhos infiéis da rainha (como aconteceu com a sua própria mãe, a Rainha Gertrudes, cuja qual se casou logo depois com o irmão do Rei Hamlet). Por meio da peça, o astucioso príncipe espera criar um desconforto no seu tio e o novo rei Cláudio e transparecer a verdade a todos – o que de fato acontece.


Apesar de não ser um profundo conhecedor das obras shakesperiana, nesta nova roupagem, assinada por Aderbal Freire-Filho, Barbara Harrington e Wagner Moura, não há espaço ao coloquial em substituição da poesia, mas sim um equilíbrio, um casamento perfeito, das falas peculiares da peça com uma menção contemporânea e de comunicação direta, como afirmou Wagner Moura.


“Nossa intenção não foi 'coloquializar' o texto, a poesia está toda lá, mas é uma poesia da simplicidade, como no original. É um texto para ser falado, mais do que lido; com Shakespeare também foi assim, ele escreveu primeiro para o teatro, depois tornou-se um cânone literário", diz WM.


Wagner Moura interpreta com maestria o príncipe Hamlet. O Hamlet de Moura, ao contrário de muitos outros apresentados, não se caracteriza somente como o personagem melancólico e tristonho, comum de se ver, mas sim um personagem com um sarcasmo, uma ironia, uma inteligência encantadora. Destaque para suas encenações de loucura na frente da corte (a fim de camuflar o seu conhecimento do assassinato) e de sua veemência e liderança na frente dos amigos do reino e dos atores teatrais.

Num cenário estilo arena (onde todos os personagens assistem as encenações da peça), há a utilização de uma câmera, que Horácio, amigo incondicional de Hamlet, quase sempre manipula - o uso do equipamento não só traz um contemporaniedade para a peça, mas é extremamente adequado. Com o equipamento, é possível, por meio de um telão, notar o semblante dos personagens, principalmente do falastrão rei Cláudio, que dá indícios emocionais de sua culpa no assassinato do rei Hamlet.

Destaque para o Rei Cláudio, vivido por Tonico Pereira. O ator mostra o cinismo e arrogância do rei com sua voz e seu cativante jeito de falar, rouco e alongado.. Horácio, interpretado por Caio Junqueira, também aparece muito bem.

O figurino leve e casual do elenco permite uma encenação ágil, de boa qualidade também é a trilha sonora organizada por Rodrigo Amarante (ex-integrante do Los Hermanos).

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

China x Japão: Censura ou feridas da guerra?


Apesar de o governo da China ter dado orientação aos policiais para que não interferissem nos trabalhos dos jornalistas que estão em Pequim, lamentavelmente, dois repórteres japoneses foram espancados e tiveram seus equipamentos destruídos após buscarem informações sobre o atentado terrorista na província de Xinjiang na última segunda-feira.

Por sua vez, o governo chinês se desculpou e falou que os dois jornalistas serão ressarcidos, mas ressaltou, que ambos estavam em área militar de acesso proibido.

Esta é mais uma prova da opressão e censura pesada que o governo chinês exerce em cima dos meios de comunicação. Além disso, devemos destacar, o clima não tão amistoso entre chineses e japoneses, mesmo sendo vizinhos, parece que os dois lados não esqueceram os muitos anos de guerra – A China acusa o Japão de estupros e outros crimes de guerra durante a invasão da Manchúria, região rica em carvão, em 1931.

De acordo com reportagem do jornal estatal chinês, China Daily, mais da metade de jovens chineses tem uma opinião negativa em relação ao Japão, com 28% dizendo que não gostam do país, 24% alegaram que não gostam do arquipélago em partes. Por outro lado, apenas 3% disseram que gostam do Japão, enquanto 7% disse que gostam de alguma coisa do país.

Neste cenário de limitada liberdade de expressão, a imprensa japonesa deve redobrar a atenção em território “inimigo”...



"A característica do homem imaturo é aspirar a morrer nobremente por uma causa, enquanto que a característica do homem maduro é querer viver humildemente por uma causa"

(The catcher in the rye, p.183)